# Coimbra suspende PDM por dois anos: majoração de 30% para habitação acessível

**Acontecimento:** 18 de fevereiro de 2026 · **Publicado no Radar:** 19 de fevereiro de 2026
**Categoria:** Municípios
**País:** Portugal
**Cidade:** Coimbra
**Organizações:** Câmara Municipal de Coimbra
**Público:** Municípios, Promotores
**Tags:** estrategias-locais-habitacao, rjue, arrendamento-acessivel, captura-de-valor-do-solo, elasticidade-da-oferta, lucro-limitado, propriedade-por-defeito

**URL canónica:** https://radar.ancora.pt/entradas/coimbra-suspensao-pdm-habitacao-acessivel/

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## O que aconteceu

A Câmara Municipal de Coimbra aprovou, na reunião do executivo de 18 de fevereiro de 2026, uma proposta de suspensão parcial do Plano Diretor Municipal. A medida tem duração de dois anos, prorrogável por mais um, e estrutura-se em três objetivos: revitalizar as frentes ribeirinhas entre a Ponte de Santa Clara e o Açude-Ponte, incentivar a construção de habitação pública e privada a custos controlados ou para arrendamento acessível, e rever regras de estacionamento.

<div class="numero-chave">
  <span class="numero-chave-valor">+30%</span>
  <span class="numero-chave-contexto">majoração de área de construção condicionada a habitação pública, custos controlados ou arrendamento acessível</span>
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Na componente habitacional, a suspensão permite uma majoração até 30% da área de construção em duas tipologias territoriais: as frentes ribeirinhas, onde se estabelece um mínimo de 30% e um máximo de 70% de ocupação com habitação, e as zonas até 350 metros de cada lado do eixo do Metrobus, onde a majoração é condicionada a habitação pública, a custos controlados ou para arrendamento acessível. Fica excluído o Bairro Norton de Matos, por características urbanísticas próprias. A decisão foi aprovada com os votos contra dos cinco vereadores da oposição, que questionaram o risco de cheias e a falta de discussão pública ampla.

A medida enquadra-se num contexto de forte pressão sobre o mercado habitacional local e da entrada em funcionamento do Metrobus de Coimbra. O município justifica a suspensão como mecanismo temporário de transição para uma revisão mais ampla do PDM. A iniciativa toca diretamente naquela que tem sido apontada como a principal fragilidade dos municípios portugueses: [a lacuna não é de vontade política, mas de instrumento](/entradas/municipios-habitacao-permanentemente-acessivel/) capaz de mobilizar solo para habitação acessível.

## O que significa para o ecossistema

Coimbra é uma das primeiras municipalidades portuguesas a articular, de forma explícita e publicada, a suspensão parcial de PDM como instrumento dedicado à aceleração da oferta de habitação acessível. Três leituras.

A primeira é regulamentar. A maioria dos PDM municipais em Portugal foi desenhada numa era de crescimento demográfico estável, não preparada para a pressão habitacional atual das áreas de litoral. A suspensão parcial torna-se, progressivamente, o instrumento por defeito para criar janelas regulamentares rápidas. Coimbra fornece um modelo que outras cidades podem replicar, nomeadamente Lisboa, Oeiras e Cascais — município que, no plano do alojamento local, já demonstrou apetência para usar o [regulamento municipal como alavanca de política habitacional, ao cancelar 40 por cento das licenças de AL](/entradas/cml-cancela-40-percent-alojamento-local-lisboa/).

A segunda é de condicionalidade. O mecanismo coimbrão não se limita a permitir mais construção: condiciona a majoração a uso habitacional acessível. Essa condicionalidade cria, de facto, uma reserva de solo destinada a operadores capazes de produzir habitação nesses regimes. Promotores sem essa qualificação não beneficiam. O sinal é coerente com outras iniciativas subnacionais que mobilizam fundos europeus para alargar a oferta acessível, como a [reprogramação de 5,46 milhões da CIMAA no Alto Alentejo](/entradas/cimaa-alto-alentejo-habitacao-acessivel/), e com o esforço de alinhamento nacional do [grupo interministerial montado no quadro do Portugal 2030](/entradas/grupo-trabalho-portugal-2030-habitacao-acessivel/).

A terceira é de tensão. A decisão foi aprovada com oposição ativa e com questionamento público legítimo sobre risco de cheias em zonas ribeirinhas. O debate mostra que instrumentos de aceleração urbanística, para se consolidarem, precisam de ancoragem técnica sólida e de escrutínio público aberto. A evolução do dossiê nos próximos meses será o indicador relevante.

## Observação a partir da Fundação Âncora

A aprovação da suspensão parcial do PDM em Coimbra é desenvolvimento relevante a acompanhar. Instrumentos que condicionam majoração de área de construção a uso habitacional acessível criam, na prática, um espaço regulamentar novo para operadores com missão, em regime concorrencial com promoção privada convencional. É precisamente o tipo de mecanismo que pode começar a corrigir a [propriedade por defeito que estrutura o mercado habitacional português](/entradas/propriedade-por-defeito/).

A Fundação Âncora observa com atenção a consolidação destes instrumentos em Portugal. A prioridade, nesta fase, é perceber como se estabilizam tecnicamente, como resistem ao escrutínio público e como se articulam com o quadro nacional e europeu de financiamento. O envolvimento de qualquer operador, incluindo a Fundação, faz sentido depois desse debate estar estabilizado, e não antes.

O Radar manterá atenção à evolução do dossiê coimbrão e a iniciativas equivalentes noutras municipalidades.

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## Fontes


- **Suspensão parcial do PDM visa dinamizar as frentes ribeirinhas, promover habitação acessível e simplificar regras de estacionamento no Município** — Câmara Municipal de Coimbra (18 de fevereiro de 2026)
  https://www.coimbra.pt/2026/02/suspensao-parcial-do-pdm-visa-dinamizar-as-frentes-ribeirinhas-promover-habitacao-acessivel-e-simplificar-regras-de-estacionamento-no-municipio/

- **Câmara de Coimbra suspende Plano Diretor Municipal para promover habitação** — Observador (18 de fevereiro de 2026)
  https://observador.pt/2026/02/18/camara-de-coimbra-suspende-plano-diretor-municipal-para-promover-habitacao-e-simplificar-estacionamento/


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*Esta entrada faz parte do Radar Âncora, repositório editorial mantido pela Fundação Âncora (https://ancora.pt). Conteúdo publicado em português europeu, factual e referenciado. Pode ser citado livremente com atribuição à Fundação Âncora e ligação à URL canónica acima.*
